I
O curso óbvio para um quem deseja escrever um teorema sobre Magick deveria ser a invocação do deus Thoth, porque é ele o senhor da magia(k) e da escrita. Na verdade, este é o deslize muito comum ante a nossa capacidade de manter sigilo(com referência aos estudos ocultos). A palavra usada pelo senhor Walter Scott para denir Magick é "gramarye, 1* portanto um ritual do magick é um "grimoire," "grimorium," ou gramática; 2* Thoth, o escriba dos deuses, era provavelmente só um homem chamado de Tahuti - a forma egícpia da palavra Thoth - que inventou a escrita. Fust, 3* que inventou a letra impressa, se tornou Fausto, "o Mago Negro.4* O primeiro grande milagre do progresso, após a conquista do fogo, foi a arte da escrita. Magick então pode ser definido para nossa finalidade atual como a arte de comunicar-se sem os meios óbvios. Como exêmplo, aproveitaremos a fórmula do fogo - este seria o uso da palavra em seu sentido mágico antigo - já eletricidade seria a outra forma de chamar o fogo de de forma progressista, ou seja, foi seguido por uma arte ou como outro exemplo por uma série nova das artes de uma comunicação sem os meios óbvios, tais como: o telégrafo, o telefone, a descoberta de Hertz (explorada por um senhor Marconi) uma outra forma de telégrafo sem fios.5
1 [Veja Sir Walter Scott (1771-1832), A Lei do último Menestrel, III, xi.]
2[Grego.]
3[Johann Fust (c. 1400 - 1466), Alemão agiota e tipógrafo, ele só não inventou a impressão como emprestou dinheiro para Johann Gutenburg produzir a imprensa escrita.]
4 [Imortalizado em duas peças, Faust Goethe (1808-1832) e Dr. Faustus Marlowe (c. 1588). Algumas escolas defendem que o alemão necromante, George Faust (?1480-?1538), teria sido a base da lenda. O nome Johann foi dado para Faust por Marlowe, mas não por Goethe.]
5 [O físico alemão Heinrich Hertz (1857-1894) descobriu as ondas eletromagnéticas, e confirmou a teoria de Maxwell da luz como radiação eletromagnética. O físico Italiano Guglielmo Marconi (1874-1937) aplicou o trabalho de Maxwell e Hertz inventando o primeiro intrumento denominado rádio.]
Agora nenhum homem duvida da existência de uma potência suprema e ilimitada, se concebê-la como insondável, inconsciente, mecânico, ou como espírito consciente e obstinado. Você pode imaginar o sol como um deus; tantos povos ignorantes como alguns muito iluminados pensaram assim; mas ante o fato não há dúvidas, o sol, dentro dos limites de seu próprio sistema, é, fisicamente falando, a fonte de toda a luz, calor, energia em todas suas formas, assim como a terra seria a matéria em todos as formas que conhecemos. Agora se nós desejarmos obter o calor do sol, nós podemos nos sentarmos numa praia; ou nós poderemos noa aquecer criando uma fonte similar a energia solar, como por exemplo o carvão m brasas - e assim por diante; de muitas maneiras nós poderemos fazer uma comunicação com essa fonte material do calor. Muito bem; o Sistema Magick pode fazer a mesma coisa com a fonte secreta ou primordial do Todo, que é o Todo em qualquer forma, toda a matéria e todo o movimento. Reiteramos poder trazer a água da fonte de todas as coisas, de acordo com nossas necessidades, por determinados métodos. E embora a suplica ordinária é uma parte de Magick, devemos considerar que na teoria puramente religiosa, deus pode ou não pode responder a uma súplica. Este é então a grande heresia de Magick - ou da religião, principlamente se você for um magista! O magista reivindica o poder para forçar uma resposta favorável. Se tentar fazer o elixir da vida, e falhar, falhou simplesmente. Não seria por isso um fraco magista, assim como um químico não é um mal químico porque simplesmente não conseguiu extrair oxigênio de uma substância e falhe. O químico não se desculpa dizendo que era a vontade de deus que não queria fazer oxigênio naquele dia!
A explicação é simples. A resposta mágicka de um deus ao magista é meramente a emanação divina de si mesmo. Sei que isto nos afasta de vez da teologia ortodoxa. O magista estará usando a fórmula mágicka de Hermes Trismegistus *1, "o que está em cima é como o que está embaixo o que está embaixo é como o que está em cima", para o desempenho dos milagres da uma substância." ' Aquele que ousar executar o seu milagre deve chamar adiante de si o seu próprio deus no microcosmo. Isso é a união com o deus do Macrocosmo por sua semelhança a ele; e a força Macrocósmica operar-se-á então no universo porque o magista a fêz operar-se em si mesmo quando o milagre acontece, tornando a vontade do magista com seu deus una.
1[ Nome Grego para o deus egípcio da escrita, Thoth. O nome significa literalmente " Hermes três vezes o grande." A citação é "da tábua de esmeralda." ]
Já no cosmos, esta indentificação não existe ou não ocorre. Conseqüentemente o magista não pode realmente executar nenhum milagre a menos que este já seja da natureza ou projeto do universo. De modo que ajustando melhor poderíamos dizer " eu me imponho a minha vontade sobre todas as coisas" terminamos "Assim será feita." É possível, certamente, que ao executar a magia de outras maneiras ou por outra fórmula, mas tais esforços são meras aberrações provisórias do caminho; melhor dizendo são erros astutos que persistem transformando-se em magia negra; na pior das hipóteses deste evento o feiticeiro é cortado fora por culpa de seu próprio ato no cosmos, e transformado-se num "irmão da mão esquerda." Esta verdade é ensinada por Wagner em Parsifal.' Klingsor era incapaz de compreender as exigências dos Cavaleiros do Graal, assim não podendo harmonizar-se entre o amor e o sagrado, mutilou-se, e foi excluído de sua farda e de uma possibilidade de redenção.
Eis porque a igreja entendeu mal esta doutrina, e vê na magia mais uma potência rival, que a atrapalha trazendo o medo a sombra de sua ignorância. Logo somente os charlatões ousaram praticá-la, porque foram conhecidos pela sua inocência. A coisa inteira caiu no menosprezo. Quando eu tinha vinte e dois anos de idade eu me devotei à realização do adeptado, ou como você quiser chamar. Aquela era a pergunta: o que isso representaria para mim? (para mim são como os primeiros passos de um poeta, perito no uso das palavras.) Eu decidi-me chamar o trabalho de minha vida de Magick. Por esta razão muitos termos para mim caíram totalmente no desuso. Eu cortei deliberadamente do jargão moderno "theosofia," "ocultismo," e assim por diante todas as palavras com uma conotação moderna. Eu faria minha própria conotação, e a imporia no mundo. A única possibilidade de confusão era com a prestidigitação (mágica), mas por este não ser da mesma conotação do discurso, não interferiu mais do que um termo homônimo tais como muitas palavras. Era sem dúvida um desafio demasiado, sem nenhuma dúvida, a escolha da minha palavra. Entretanto, eu me indentifiquei-me com ela, e a utilizei da melhor forma.
Foi necessário insistir que Magick seria uma identificação do Magus com o supremo forma de mostrar-lhe como trabalhar na prática. Há duas ramificações desta mesma árvore; nós podemos convenientemente chamá-las de católica e a protestante.
1[O compositor alemão Richard Wagner (1813-1883) escreveu Parsifal, sua ópera baseados em lendas do cálice sagrado em 1877-79. ]
O método protestante é aquele do suplicante. Enquanto uma criança pede a seu pai um brinquedo, assim como o magista pede deus envie a chuva, ou o que quer que possa necessitar naquele momento. O livro do suplicante está cheio de tais orações, recheadas com o uso de "Oh, senhor, que as maiores maravilhas se obrem sozinhas, que emitam para nós através de nossos bispos e curem nossos espíritos enfermos pela graça de Ti." Mas não há nenhum registro de nenhuma resposta favorável a este tipo de súplica! Numa passagem de Christo nós encontramos um discurso avançado de MagicK. "se for a vontade de Ti, afasta de mim este cálice; não obstante não se faça a minha vontade, mas a Tua seja feita." Os extremos deste (*1) "minha vontade, é que as Tuas sejam feitas," Christo diz a Pilatos que se desejasse poderia ter doze legiões de anjos para o defendê-lo (*2) mas que não tinha nenhum desejo maior do que afastar dele o cálice; Sua vontade é una com o Pai.
Agora, a fim de persuadir Deus no que se deve conceder , ou a fim de se convencer de que se está pedindo um milagre apropriado, podemos recorrer a memória de outros milagres feitos por Deus no passado. Assim o talismã feito pelo Dr. Dee, (*3) que levantaram uma tempestade na qual o espanhol Armada foi destruído, foi desencadeada sobre ele através de uma imagem simbólica de um rosto que se funde diante de uma tempestade, sobre o assunto leiam os seguintes versículos: "que emitiu adiante seus relâmpagos e os dispersou them (*4) - ou algumas palavras similares. O deus é lembrado sempre que no passado trouxe a vitória a seus povos escolhidos, levantando uma tempestade no momento apropriado. Há, na frase, um precedente para o milagre. As conjurações de Grimórios antigos abundam com recitais similares bem anteriores as narrativas das façanhas bíblicas de Deus.
Eis as antigas ligações de um sistema Magick Cathólico cuja fórmula é esta: a história de deus é decretada antes dele; é movida pela visão de seus próprios sofrimentos ou aventuras, "e a simpatia dos autores com deus são ao mesmo tempo dispersas em seu ponto mais elevado.
1 [ Lucas 22:42, Mat. 26:39.) 2 [ Mat. 2 (i:53. ]
3 [ Dr. John Dee (1527-1608), matemático, astrólogo e Mago elizabethano; era o autor original, junto com Edward Kelly, da Magia Enochiana. Este incidente não é narrado em diários ou em biografias. Na ocasião da batalha em 1588 estava residindo em Boemia; de lá escreveu para Elizabeth I felicitando-a por sua vitória.)
4 [ Veja Salmos 18:14, 144:6. ]
5 Aqui nós devemos recordar que a maioria de deuses são homens deificados.
O Bacchae de Euripides é um exemplo perfeito deste tipo de ritual.(*1) O fato é que quase todo o drama grego do período clássico é deste tipo (*2) de discurso "machina (*3) ex deus" são marcas extremas de identificação. Similarmente, os mistérios de Eleusinianos comemoravam as aventuras de Demeter; aqueles de Adonis e de Osiris e de Mithras dizem a respeito da história do sol, e invocam assim sua potência. J. M. Robertson vai mais adiante, e diz que a história suprema, da experimentação e da Crucificação de Christo não é uma história mas um cenário (*4) que nem é esta vista como afinada a pontos de vista racionais e antropológicos do ponto de vista de muitos místicos christãos tais como Spencer, Frazer, e Grant Allen; (*5) sustentam e dizem que seu reverencia para o logos(*6) não é menor mas muito maior pela identificação da lenda de sua vida e morte com àquela do Cosmos. Eu devo outra vez chamar a atenção à necessidade desta forma da identificação a fim mostrar o impossibilidade de fatores malígnos no sistema Magick. O malígno para nós é sinonimo de falha.
Já com aquele feiticeiro de baixa classe que se vende porque é um escravo de algum "diabo" ou melhor dizendo "demônio" nós não teríamos muito a dizer. Isto é a antítese do sistema Magick. Nosso alvo é comandar os espíritos. Muito bem, suponha que nós começamos um ritual para que de alguma maneira egoísta e avarenta, solicitemos aos espíritos para nos trazer ouro. Nós chamamos Hismael, o espírito de Jupiter. Nada acontece. Nós aprendemos que Hismael não é comandado a não ser por uma inteligência apropriada, Iophiel. Assim nós chamamos Iophiel. Da mesma forma Iophiel, somente é sucetível às ordens de Sachiel, seu anjo. A mesma história acontece com Sachiel. Nós vamos a Tzadquiel o Arcanjo. Ainda nada acontece; para Tzadquiel não obedece nada senão a fonte primordial; nós invocamos Ela, ou seja, Deus. Nós devemos então nos transformarmos Nele; e tendo
1 [ escritor ateniense Eurípedes (480 - 406 ac.) descreve o cult de Dionysius em seu drama, intitulado vària as mulheres de Bacchus, ou os bacchants.]
2 [ Veja o ensaio "terra" de Crowley a esse respeito já publicado. ]
3 [ latim, "deus de uma máquina," concernente a eventos apresentados num drama para resolver uma situação de uma maneira impossível. ]
4 [ James Mackinnon Robertson (1856-1933), Christs Pagan: Estudos em Hierologia comparativo (1903) ]
5[Herbert Spencer (1820-1903) era um filósofo inglês. O senhor James George Frazer (1854 - 1941) era um classicista e um antropólogo de Cambridge conhecido pelo seu estudo comparativo da Magia. Charles Grant Blairfindie Allen (1848-1899) era escritor e cientista inglês, membro da associação racionalista da imprensa. ]
6[Grego, "palavra"; neste contexto, na palavra da carne feito Jesus em Deus. ]
feito assim, participando dessa essência divina, deixamos de nos incomodar com pequenos valores. Nós deixamos tudo isto para trás. Assim então nós percebemos que para executar to milagre devemos encontrar uma razão ou causa divina para ele. Eu frequentemente pedi dinheiro e o obtive; mas somente quando o dinheiro era realmente necessitado para algum benefício manifestadamente cósmico. O fato é que a Obra começa, quando é conduzida a Grande Obra. Isto é um processo lógico e uniforme, entretanto se o experimento for ilógico, tranformá-se em Magia Negra, aquelas poderosas forças cujos os nomes (talvez ignorantemente) invocou são invisíveis, mas que podem ser trazidas à tona como um empurrão - e muitos poucos tem demasiada força e energia para domá-las!
Eliphas Levi define a Magia Negra como resultado da persistência da vontade em algo absurdo (*1), o indivíduo não ficará louco ao ver o diabo, porque antes de invocá-lo este já deve sê-lo.(*2). É extraordinário como a fórmula de Hermes Trismegistro prende ao seguinte pensamento: Magick é a extensão do microcosmo no macrocosmo. É porque é na grandeza do macrocosmo, seguirá o ato mágicko é atuando no infinito. "em mim nada sou: em Ti eu sou o Todo. Que cesse o meu eu! E traga-me esse "Eu" que está em Ti!" conclui as invocações Rosacruzes (*3), isto, entretanto, explica porque aqueles que tentam utilizar Magick apenas para satisfazer curiosidade, ou que tentam trair ou desvirtuar nossos conceitos mágickos, acabam atraindo sérios problemas para si. O Mago é uma expressão da vontade do universo: os fracos se rebelam e sofrem. Opôr-se a um verdadeiro Mago é como cometer a tolice de colocar sua mão sobre uma serra circular em movimento. E as culpas sempre recairão sobre a serra.
1 [ o ocultista francês Eliphas Levi (Alphonse Louis Gonstant, 1810-1875) era um autor prolífico no sistema mágicko. Crowley acreditou ser a reincarnação de Levi.
Levi especificou cinco circunstâncias para o sucesso na prática da Magia Negra.
a. Obstinação invencível
b. Uma consciência embrutecida pelo crime e em sua maioria ao terror.
c. Ignorância natural.
d. Fé cega em tudo.
e. Uma noção completamente falsa de Deus." Os mistérios da magia - A. E. Waite, p. 215]
2[Levi, indica "que o diabo cria o diabo." Um coroinha disse a Crowley "seria um louco se fizesse um exame da bíblia seriamente; mas para fazer exame sério da mesma já deve ser louco." Livro 4, parte II (1913), ]
3[Este é o ritual menor da Iniciação do Adeptus da Golden Down. O templo de Salomão - o rei, no equinócio I(3), p. 173, : "em mim que eu não sou nada, em Ti eu sou o Todo, e vivo em Ti e no nada! Vivo em mim, e traz-me até esse ser que está em Ti! Amen."]